Anamnese

Quando o médico especialista se depara com um casal com dificuldades para atingir a gravidez, ele deve seguir alguns passos básicos para tentar chegar ao diagnóstico.

Para facilitar o entendimento, esses passos serão abordados separadamente e divididos da seguinte forma:

História do problema, entrevista (anamnese);
Exame físico geral e ginecológico;
Pesquisa básica;
Pesquisa avançada.

Anamnese

O nome anamnese é dado à conversa entre o médico e o casal, durante a qual serão abordados vários aspectos da vida de cada um dos parceiros.

Valoriza-se na anamnese o conteúdo de informações dos parceiros a respeito do tempo de infertilidade, idade, exames e tratamentos já realizados. Com relação á história menstrual, é importante levar em consideração a idade da primeira menstruação (menarca), a regularidade dos ciclos, a presença de cólicas muito intensas, entre outras informações.

Na história obstétrica, têm importância os antecedentes de gravidez, assim como o passado de gravidez ectopia (quando esta ocorre fora do útero), abortamento e curetagem pós-aborto e pós-parto. Em se tratando da vida conjugal, cabe investigar o tempo que os parceiros estão tentando a gravidez, e questionar também a ocorrência de gestação em uniões anteriores ou se ex-parceiros estabeleceram prole em novas uniões.

Na história sexual, é importante a freqüência de relações sexuais, o uso de lubrificantes, que podem agredir os espermatozóides, e a queixa de dores durante o ato sexual (dispareunia). No que tange a antecedentes de doenças, o relato de infecções pélvicas, tuberculose e cirurgias pélvicas pode direcionar a suspeita de aderências peri-tubárias que justificam a infertilidade.

Outros distúrbios como problemas com a tireóide, secreção mamária (galactorréia), excesso de pilificação na mulher (hirsutismo), diabetes e hipertensão podem ter importância na causa da infertilidade.

Um dado extremamente importante é a idade da mulher, tendo em vista a queda da fertilidade que ocorre com o passar do tempo, principalmente após os 37 anos. Por este motivo, a idade é sempre um fator de alerta para se ter uma conduta mais ou menos agressiva quando se fala em investigação e tratamentos.

Aconselha-se que mulheres acima de 37 anos não aguardem o mesmo tempo que mulheres mais novas, cerca de um ano, para procurar ajuda. O tempo de espera pela gravidez espontânea não deve ser superior a seis meses nessa faixa etária. Com idade mais avançada, os índices de sucesso nos tratamentos caem e aumenta-se a taxa de abortamento e o risco de alterações cromossômicas no feto, como a síndrome de Down.

Com relação à idade do homem, algumas evidências sugerem que não ocorre modificação relevante na concentração dos espermatozóides, entretanto, verifica-se alterações na motilidade e morfologia destes com o envelhecimento masculino. Ainda com relação ao fator masculino, devem ser observadas as dificuldades de ereção e ejaculação, doenças venéreas e outros tipos de infecção, presença de varicocele (varizes nos testículos) e cirurgias corretivas, se houverem.

O uso de dispositivos intra-uterinos (DIU) em casais monogâmicos não compromete a fertilidade, no entanto, a condição de múltiplos parceiros, de qualquer um dos conjugues, leva a um risco maior de contrair doenças sexualmente transmissíveis, que podem causar infertilidade por danos nas trompas.

Práticas esportivas extenuantes e de longa duração podem propciar acentuada perda de peso corpóreo e levar a infertilidade. Por outro lado, o aumento excessivo de peso pode interferir na quantidade de alguns hormônios, prejudicando também a função ovulatória.

O consumo de álcool, fumo, maconha, assim como o uso prolongado de medicamentos para ansiedade, náuseas e vômitos ou anti-inflamatórios devem ser explorados devido à sua interferência na fertilidade da mulher.