Endometriose

A endometriose merece abordagem á parte devido a sua incidência cada vez maior e sua relação já comprovada com a infertilidade. O aumento de identificação dos casos de endometriose nas mulheres em idade reprodutiva, em parte se deve aos recursos diagnósticos hoje disponíveis (videolaparoscopia) e ao melhor conhecimento da doença. Ainda não se sabe ao certo porque algumas mulheres desenvolvem endometriose, mas a presença de fatores de risco como estresse exacerbado, sedentarismo, tabagismo, excesso de consumo de álcool, menstruações freqüentes ou em grande quantidade, podem servir de alerta.

Os sintomas mais freqüentes desta doença são cólicas menstruais intensas (dismenorréia), que podem estar acompanhadas de distúrbios intestinais ou urinários, assim como dores ou desconforto durante a relação sexual.

Por definição, endometriose é a presença de implantes de endométrio (tecido que reveste o útero internamente e descama mensalmente produzindo a menstruação) fora do seu local de origem.

Os implantes endometrióticos mais frequentemente ocorrem na superfície dos órgãos pélvicos como ovários, trompas, bexiga, intestino e ao redor do útero causando desta forma um processo inflamatório crônico.

A inflamação produz substâncias nocivas aos óvulos e espermatozóides e, em casos mais avançados, causam aderências que comprometem as estruturas pélvicas e levam a infertilidade.

A teoria mais aceita para explicar como estas células chegam ao interior do abdômem, seria o fluxo parcial de conteúdo menstrual através das trompas, fato que ocorre em 90% das mulheres.

O que ainda não se sabe é porque somente 20% destas mulheres desenvolvem endometriose, mas acredita-se que seja devido a um desequilíbrio no sistema imunológico.

Podemos classificar a endometriose como mínima, leve, moderada ou severa, em função do grau de comprometimento, mas isto nem sempre está relacionado com os sintomas dolorosos.

Alguns exames podem levantar suspeita quanto á presença de endometriose, como a ultra-sonografia transvaginal, a ressonância magnética e a dosagem do CA 125 (marcador tumoral), mas o diagnóstico definitivo da patologia é feito pela videolaparoscopia.

Este procedimento possibilita a visualização direta das lesões, assim como biópsia, remoção e cauterização das mesmas, fazendo desta forma parte importante do tratamento. A conduta pode variar após a cirurgia conforme a gravidade da doença e o desejo da paciente de engravidar.

Os tratamentos variam entre o uso de medicações que induzem o desaparecimento temporário das menstruações, ciclos de indução da ovulação com ou sem inseminação intra-uterina e outras técnicas de reprodução assistida.